segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

NÃO SEREI + A MÃE SACRIFICIAL...MEU FILHO PODE E DEVE PARTIR...

A MÃE SACRIFICIAL...

30 de dezembro de 2013 às 16:22
A MÃE SACRIFICIAL!


Não defendo os pais vitimas que “por amor aos filhos” desistem de sua própria vida. Não admiro a mãe sacrificial que anula sua personalidade com a mesma alegação, para no fundo culpabilizar os filhos e lhes cobrar o que lhe “devem” e até o que “não devem”.


Sair do estabelecido e habitual, mesmo ruim, é sempre perturbador.
Porque temos que suportar, um filho que não estuda, não trabalha se droga, e vive em más companhias, querem sempre o nosso dinheiro a toda hora, não nos respeitam como nos respeitávamos os nossos pais, dormem até ao meio dia e acordam ou de ressaca ou de mau humor, tomam três banhos por dia, consomem tudo que há para comer na geladeira e fora dela?
Por que temos que aceitar isso?
Conviver com isso?
Porque parimos estas criaturas?
O meu desejo de ser mais livre é forte, o medo da situação conhecida, por pior que ela seja pode ser maior ainda.
Para nos reorganizarmos precisamos nos desmontar, refazer esse enigma nosso e descobrir qual é, afinal, o projeto de cada um de nós!
Pensem: “mas a família não tem mais essa importância que você lhe atribui”, objetarão. “A gente é muito mais livre, os compromissos são mais frouxos. Tudo mudou.”
Não: quase tudo mudou.
A essência permanece a mesma: a nossa essência.
Vertiginosamente no século passado a sociedade mudou, a família mudou. Transformou-se a cultura, evoluíram tecnologia e ciências, tudo avança em uma velocidade inimaginável há 60 anos.
Porém as emoções humanas não mudaram.
Nem ao menos somos originais. Nossos desejos básicos hão de ser os mesmos:segurança, afeto, liberdade, parceria: sentir-se integrado na sociedade ou na família, ser importante para o meu grupo ou ao menos para uma pessoa – aquela que é o meu amor.Não preciso ser uma rainha para ser importante, mas devo me sentir apreciada!
Solicitar judicialmente que o meu único filho (produtivo) seja afastado do lar por uma medida protetiva, baseada na lei Maria da Penha, não me causa vergonha, me sinto dona de mim mesma de meus desejos e da minha felicidade, por isso não aprovo mesmo mãe sacrificial.
Isso me determinará tanto quanto o primeiro olhar que incidiu sobre mim.
Devo me considerar capaz e merecedora, sem megalomania, sem alienação.
Dentro do que está ai para que eu o escolha, o modifique, o faça meu.
Não tem a ver com dinheiro novamente deixo isso bem claro, nem com posição social, nem com soberba, mas com o modo como somos avaliados – por nós e pelos que amamos.
Minhas ações e desistências nascem desse conceito primeiro.
Não importa o que eu seja intelectualmente, nem socialmente e muito menos politicamente: gosto de mim na medida em que acredito na minha dignidade, quero me expandir conforme o meu valor.
E também segundo acho que vale a pena esse salto, esse crescimento, essa entrega.
Só depende unicamente da minha confiança.
Se achar que não valho nada, serei nada.
Deixarei que outros falem , decidam, vivam por mim.
Porém, se acreditar que apesar dos naturais limites e do me todo eu mereço uma dose de coisas positivas, vou lutar por isso.
Gestos, silêncios, palavras: criaturas vivas que na sombra do inconsciente armam laços e desarmam vidas.
Nossos filhos têm esse poder, mas também somente nós mesmas é que temos o poder para aniquilar o poder deles.
Se a ferida for séria demais, e a minha com o meu filho é muito, muito séria; diálogos ou explicações não vão curar o que já está gravado a ferro e fogo na carne e na alma.
Meu filho me traiu me mentiu e principalmente me desiludiu, em tudo, que juntos traçamos como meta de sua vida!
Não basta uma noite de Natal ou um abraço de Feliz Ano Novo para desfazer e curar todas as feridas.
“Mas é assim mesmo, a gente não se entende”.
Somos todos uns pobres-diabos, todos complicados, todos inseguros e infelizes: como passar algo de bom para os filhos? 
Não concordo.
Não acho que sejamos pobres-diabos, nem que todos somos infelizes.
Somos complexas, isso sim: intrigantes, vulneráveis e passiveis de enganos e erros.
Somos também maravilhosas maquinas de afeto e idéias, de sonho, de produção da arte que transporta para além do trivial.
Capazes de instaurar o mais simples cotidiano que dá segurança e aconchego.
Porém o amor – como o desamor – é uma tarefa trabalhosa.
Que nos produz e nos recria a cada hora.
Uma personalidade é um jogo de amar de emoções enoveladas, com peças difíceis de ajustar.
Hoje eu não amo mais o meu filho, sinto uma profunda pena da limitação espiritual e intelectual dele, porque não soube aproveitar o que o universo lhe ofereceu, o convívio contínuo, com uma pessoa, a grande mãe e mulher que sou eu!
Sinto pena, e juntos no mesmo espaço não é possível mais ficarmos.
 Portanto ele sai, ele vai embora cuidar de sua vida, aos 21 anos e trabalhando ele não precisa mais viver me desrespeitando diariamente, porque eu me divorciei do pai dele.
Ele vai embora daqui, porque a casa é minha!
A família nos fornece os primeiros critérios que podemos seguir ou infringir.
Transgredi-los pode ser a salvação em muitos casos, se nos esmagarem; mas que difícil quase heróica tarefa.
Porém ou nos libertamos até onde for possível, ou estarão ali atrás da porta a qualquer momento, com as mãos na cintura, mostrando-nos a cara e pronunciando suas sentenças doentias sobre nós mesmas que os trouxemos à luz, no caso do meu filho foram 14 horas de trabalho de parto, sem qualquer anestesia.
Tenho  a mais nobre certeza de que não se trata de Liberdade e muito menos absolvição.
Ensinaram-me desde cedo que minha liberdade era essencial, que se ligava à minha dignidade, e que eu seria responsável por minhas escolhas.
Mais: eu sabia que mesmo se tudo desse errado alguém sempre estaria ali para me proteger e me tirar daquela situação, só mais tarde me dei conta que corri um risco enorme, porque esta pessoa não existe, esta pessoa no caso é você mesma!
Minha família sempre foi cada um por si e todos por cada um.
- lembro-me de uma situação difícil, que eu e meu namorado nos encontramos e que envolveu até polícia etc.
E a minha família (mãe e irmãs), compareceram no local, mais deram apoio total ao meu namorado (será porque ele era rico?), que afinal eles conheciam há apenas alguns meses, os pais dele também compareceram e foram os únicos a me pedirem desculpas pela falta cometida pelo filho deles; daquele dia em diante percebi que o conceito básico de família: aquele grupo, ou aquela pessoa que mesmo se não me compreende e ás vezes nem aprova, me respeitará e amará como sou – ou como consigo ser – só tive este apoio incondicional de uma única pessoa na minha família toda, a minha avó, porque foi quem me criou e me conhecia por fora e por dentro, lia a minha alma por inteiro, era uma maga!
Sinto muito a falta dela, já partiu daqui a 18 anos.
Em qualquer estágio este sentimento básico de aprovação faz falta: sim, eu mereço viver bem.
Mais tarde ainda pode-se desenvolver e reforçar, com experiências positivas, esforço pessoal, e uma reeducação sentimental, o nível de nossa auto-estima.
Sempre me procurei autoconhecer e é por isso que tenho muita dificuldade de ficar escutando “abobrinhas” ou conceitos bizarros sobre isto ou aquilo que faço ou deixo de fazer.
Fiz terapia de grupo por 03 anos ( dos 17 aos 19), foi básico, e só. O restante e o verdadeiramente importante eu entendi que era minha própria autoconstrução e que nada tinha a ver com aquele terapeuta.
Eu sempre paro e dou uma olhada a minha volta e vejo o que está me acontecendo, e questiono o que não quero mais na minha vida e nem longe de mim, agora estou neste processo com este meu filho, não o quero mais nem perto e nem longe, simplesmente não o quero mais!
Hoje 29/12/2013, 21hrs, por acaso acabei de ouvir a fala presidencial da D. Dilma Roussef.
 Esperanças é só o que temos apenas esperanças, mas ficou claro pra mim que tem que continuar sendo em nós mesmas, como sempre foi e será.
Então que seja!
 Eu já me acostumei a isso, e concordo em gênero numero e grau com o saudoso e brilhante Saramago em seu Ensaio sobre a Lucidez, como ainda é tão factível.
Nossa maneira de ver e viver reflete – e repete – aquela com que fomos vistos quando éramos somente reflexo no espelho, ou vamos formando uma postura própria com todo o esforço e dor que isso possa exigir?
Sendo contraditórias, somamos hesitação e medo com audácia e fervor.
Podemos nos esconder no quarto escuro ou virar a cara para o sol, alternar as duas posturas, gastar e consumir, amealhar e multiplicar.
Somos tudo isso.
Nossa anistia ou nossa aniquilação.
No dia 24 de Dezembro de 2013, meu filho num acesso de fúria, destrói metade dos utensílios domésticos de casa, totalmente embriagado e talvez ainda sob o efeito de alguma outra droga, e me acusa de tê-lo “roubado”, CR$90,00, sempre dei de tudo a ele do pão ao sabão!
Solicitei a presença do 190, (quando chegaram ele já não se encontrava mais em casa) me aconselham a pedir uma medida restritiva e afastá-lo o quanto antes, afim de não acontecer o pior uma vez que aquele acesso não era o primeiro e talvez não fosse o último.
No dia 25/12/2013, recebo um amigo do meu antigo trabalho, e vamos dar uma volta pelo bairro a pé, tomarmos umas “brejas”, quando retornamos da caminhada, decidimos nos sentar em frente da garagem de minha casa, peço licença para ir usar o banheiro, quando retorno já não encontro mais o meu amigo, e sim meu filho aos berros e novamente destruindo num acesso de fúria meus pertences, alegando desta vez que meu amigo não era uma boa companhia pra mim... rsrs.
Novamente solicito o 190, que desta me “alertam” que nada podem fazer, e que eu devo realmente solicitar medidas protetivas baseada na Lei 11340/06, incluindo também os artigos 147, 121,129 e 154, e que não poderiam ficar atendendo mais minhas solicitações a não ser em caso de “extrema violência”, será que ele se referia a me encontrar morta?
Agradeci a presença e os conselhos e fui dormir com todas as portas, janelas destruídas pelo meu filho.
Muita coragem né?
Mas não recuei.
Mesmo ferida na alma, e no corpo, tentei antes de ir dormir falar no 180, da secretaria de políticas para mulheres, pasmem; sequer o numero de um corregedor ou responsável pelo acesso; a mocinha do telemarketing conseguia me passar, e insistia apenas em me passar um  nº de protocolo, nem lembro mais, que numero é esse – 1176/13.
No dia 26/12/2013, tentei praticamente o dia todo falar com meu advogado e outros órgãos de proteção a Mulher, com meu advogado (dativo) não consegui mesmo, no disk 100 – direitos humanos foi o mais hilário dos contatos.
 O rapaz que me atendeu de nome Rafael, me disse categoricamente, que aquele canal só atendia casos de violência, com crianças, idosos e população LGBT, fiquei tão indiguinada que agradeci o contato e dei risada.
Que país é esse?
Só atende aos interesses do PT?
Na minha cidade tem uma deputada Estadual que atende pelo nome de Ana Perugini, “uma gracinha” de pessoa parece uma Barbie com 40 quilos a mais, como diria a nossa saudosa e não menos hilária Hebe Camargo, a deputada adora aparecer em out doors gigantescos pela cidade, mostrando os dentes.
 Porque ela não troca os dentes por trabalho, por serviços à população?
No dia 27/12/2013, seguindo  a minha intuição de mulher sábia e me dirijo até a delegacia –responsável- pelo meu bairro.
 Sim; porque tente você; querer fazer um B.O. fora do bairro onde você mora para ver o que lhe acontece; quase vai presa.
 É isso mesmo, as escrivãs quase te prendem.
 Quando sabemos muito bem que a Lei nos faculta o direito de  registrar um B.O, em qualquer delegacia.
 Munida de documentos e fotos dos fatos, segui para a dita delegacia.
 Adentrei ao local ás 09h05min fui atendida pela escrivã Rosangela A. Perez Barbosa, que me informou que não seria da competência dela registrar tal B.O. pois o funcionário responsável ainda estaria por chegar ao trabalho e que seria ele que iria analisar o caso para saber se faria ou não o B.O.
 Pediu-me que me sentasse e aguardasse.
 Assim é o Brasil, é o tratamento que dão aos casos de Violência Doméstica.
Enfim o tal funcionário responsável chegou ao local às 09h22min, me apresentei, a gente tem que contar a nossa dor escancaradamente em alto e bom tom para todo mundo que estiver no local ouvir também ( o que é um abuso e um desrespeito à sua privacidade) e o mesmo já foi logo dizendo que a época (de festas de final de ano) era um tanto imprópria para tal serviço uma vez que quase todos estavam em recesso.
 Respirei bem fundo contei até 10, pedi ajuda da minha avó (em espírito) e disparei – mas eu imploro ao Senhor que faça, por favor, este B.O. - não posso retornar a minha casa sem este documento, por correr risco de morte, tive que apelar senão era bom dia e Feliz ano Novo, volte depois do dia 07/01/2014.
No final quem redigiu o B.Oe nº. 2194/2013 – 02º D.P. Hortolândia - Fone 19 39099003 - foi a escrivã que me recebeu quando cheguei, Rosangela A. Perez Barbosa, fiquei sem entender o motivo de eu ter esperado quase meia hora para iniciarmos o processo do documento uma vez que o tal Marcelo/ou Marcos não me recordo não escreveu nada?
O delegado estava presente no local e assinou o B.O.
 O Dr. Diego Bini, que apenas quis constatar se havia lesões para um encaminhamento ao IML.
 Pasmem;  IML da cidade de Americana, há 30 km da cidade de Hortolândia.
Obviamente questionei educadamente, mas não menos indignada o motivo daquela bizarrice?
 Eu  que já estava exaurida de ter ido de ônibus até aquela DP, e ainda teria que me dirigir até a cidade de Campinas/SP, mais 15 km.
 Ir até a rodoviária e pegar mais um ônibus até a cidade de Americana para fazer um simples exame de corpo de delito?
Questionei novamente e educadamente, o porquê daquilo?
E se eu não tivesse dinheiro ou condições físicas e emocionais para fazer tal percurso?
Questionei o qual era o apoio que a Secretaria de Políticas Publicas para as Mulheresem situação de risco da cidade de Hortolândia dava para casos graves como o meu, a resposta foi: aprenda a votar na próxima eleição.
Fiquei indignada com a situação e com a resposta.
Mais indignada ainda fiquei quando me disseram que eu deveria estar lá no local na cidade de Americana até no máximo às 15hrs,
Ou seja, literalmente cronologicamente impossível, uma vez que o procedimento do B.O. mais a requisição do termo para o IML de Americana só havia ficado pronto às 10h22min.
 Para fazer o trajeto estipulado seriam necessárias mais 04 horas, se nada atrasasse o transporte, ou seja, seria uma ato heróico quase impossível.
Sai do DP, indiguinadissima, sem palavras, aos prantos,por ter que morar numa cidade que trata tão mal os seus cidadãos, principalmente nós as Mulheres,Mães, Provedoras dos nossos lares.
Sem advogado, sem dinheiro, e sentindo toda aquela humilhação, mal consegui retornar para casa (o ônibus demorou 55mim para passar no ponto) e continuei a me perguntar que cidade é essa, que país é esse?
E aquele francês continua tendo razão sobre o Brasil?
Falta de dinheiro, falta de carro, nada tem a ver com inexistência de cultura, consciência política e cidadania, eu tenho tudo isso cotidianamente claro na minha vida.
Eu não fui para a cidade de Americana, primeiro porque estava sem condições financeiras, emocionais e físicas!
Ao chegar em casa, tentei novos contatos com meu advogado (dativo), sem sucesso.
 Retorno então ao infame 180, e tentar pedir uma solução.
 A atendente simplesmente desligou o telefone na minha cara!
Novamente pensei que país é esse?
 Ainda indignada tentei novamente o 190, e pedi ajuda, foi à única coisa sensata que ouvi naquele dia, - disse o tenente - olha Senhora vá ao MP- ministério público – e peça providências urgentes, pois existe um plantão, mesmo em datas festivas.
Tentei 5x, o fone do MP de Hortolândia, chamou até desligar.
O meu advogado (dativo) não respondeu nem os meus sms até o dia de hoje.
Continuo correndo riscos com o agressor no mesmo local.
 Ele está a cada dia mais agressivo, pois ficou sabendo do B.O.
  Passou então a ser mais ostensivo nas ameaças e na destruição de mais objetos.
Conclusão: se eu conseguir publicar este texto é porque ainda estou viva, mas até quando?
Que cidade é essa, que país é esse, e aqui não cabe a perguntinha “sacana” dos órgãos de proteção – mas o agressor não é seu filho? - é e daí?
Eu sou eu e ele é ele, cada um é cada um.
Não faço a linha da Mãe Sacrificial.
Mãe não tem que ser amiguinha, tem que ser Mãe.
Tem que ser aquela a quem os filhos mesmo adultos, sabem que podem recorrer quando tudo falhou, até os “melhores amigos”, e o meu filho não sabe escolher amizades.
Mãe não deve ser a falsa jovenzinha competindo com a filha em roupas e maquiagem, ou pior tentando seduzir os colegas do filho – criando constrangimentos que ela ignora como se não vivesse na real, já vi ouvi e conheço uma dezena deste modelito de mãe.
Conceitos poucos simpáticos, severos?
A vida pode ser bem mais severa que isso.

Um comentário:

  1. Não faço a linha da Mãe Sacrificial.
    Mãe não tem que ser amiguinha, tem que ser Mãe.
    Tem que ser aquela a quem os filhos mesmo adultos, sabem que podem recorrer quando tudo falhou, até os “melhores amigos”, e o meu filho não sabe escolher amizades.
    Mãe não deve ser a falsa jovenzinha competindo com a filha em roupas e maquiagem, ou pior tentando seduzir os colegas do filho – criando constrangimentos que ela ignora como se não vivesse na real, já vi ouvi e conheço uma dezena deste modelito de mãe.
    Conceitos poucos simpáticos, severos?
    A vida pode ser bem mais severa que isso.

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